DF/RIDE:
No Distrito Federal e na Ride, o apoio da Sudeco tem fortalecido o desenvolvimento econômico e o empreendedorismo, ampliando oportunidades e inclusão para a população do DF e do território da Ride.
Ao longo de quase duas décadas, o FCO financiou nessa região cerca de 60 mil contratos, com um volume de recursos da ordem de R$ 13,5 bilhões. Já em municípios goianos da Ride, o FDCO registrou 10 contratos voltados aos setores de energia, indústria de alimentos e infraestrutura rodoviária, totalizando aproximadamente R$ 1 bilhão em participação e cerca de R$ 3 bilhões em investimentos.
“Celebrar os 15 anos da Sudeco é reconhecer uma trajetória indispensável para o crescimento do Centro-Oeste. Junto com o FCO, eles cumprem um papel fundamental, funcionando como motores de transformação econômica que levam investimento, crédito e segurança para quem deseja empreender e produzir.
Ao descentralizar o acesso aos recursos, o FCO estimula a inovação, fortalece a economia e gera emprego e renda diretamente na ponta, promovendo um desenvolvimento muito mais equilibrado e sustentável. Aqui, no Distrito Federal, testemunhamos diariamente como o apoio ao potencial produtivo se transforma em oportunidades reais para a população. Parabéns à Sudeco pelo compromisso histórico e técnico nesses 15 anos de apoio ao futuro da nossa região”, acrescentou o secretário.
Thales Mendes
Secretário de Desenvolvimento Econômico Trabalho e Renda do Distrito Federal
Cultivar a própria terra trouxe não apenas uma fonte de renda, mas também um caminho de reconstrução pessoal
Há 17 anos, quando chegou a Sobradinho com três filhos e quase nenhuma estrutura, Maria do Socorro Conceição Silva carregava mais dúvidas do que certezas. Mãe solo, vinda de uma trajetória marcada por trabalhos temporários, ela encontrou na agricultura familiar não apenas uma fonte de renda, mas um caminho de reconstrução pessoal.
Filha de agricultores, Maria cresceu vendo os pais lidarem com a terra, embora tivesse pouca experiência prática. “Muito do que faço hoje aprendi com eles”, relembra. Quando se mudou para Sobradinho, incentivada por uma amiga, encontrou apenas um pequeno espaço e muitas dificuldades. “No início não tinha nem casa, era só um cômodo e a terra era ‘crua’. Isso dificultava qualquer sonho de empreender”.



A virada aconteceu durante a Caravana da Sudeco, em 2025, no Sol Nascente, onde, em uma das oficinas, ela teve contato com uma oportunidade capaz de transformar sua vida. Foi ali que Socorro ouviu falar da possibilidade de acessar crédito com juros baixos por meio do Pronaf B, dentro do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO). Para quem nunca havia tido acesso a financiamento, aquela possibilidade parecia distante e assustadora.
“O medo existe. A gente pensa que não vai dar certo, que não é capaz. Mas eu pensei: eu quero, eu posso e eu tenho que ser forte”, lembrou Socorro, orgulhosa.
Com o recurso, ela investiu principalmente em irrigação e iniciou a produção de milho e feijão. O milho veio primeiro como fonte de renda e o feijão, inicialmente para subsistência, passou a dar retorno.
Depois vieram outras culturas, como maxixe, quiabo e abóbora. Atualmente, Socorro também desenvolve um projeto de cultivo de banana e mandioca em parceria com a Embrapa, ampliando as possibilidades de produção em sua propriedade.
Atualmente, comercializa os produtos em mercados locais e para a vizinhança. Embora ainda esteja no início do processo de expansão da produção, já percebe de forma concreta os impactos da mudança na renda e na qualidade de vida da família. “Mudou completamente”, resume.
Buscando se aprimorar e adquirir novos conhecimentos, Socorro também participa de oficinas técnicas voltadas à agricultura familiar. Recentemente, esteve na capacitação do projeto Quintais Produtivos, onde recebeu orientações sobre planejamento da produção, escolha de culturas, criação de pequenos animais e práticas de gestão sustentável da propriedade.
Além do retorno financeiro, a agricultora fala sobre algo mais difícil de medir: autoestima. Acostumada durante anos a apenas sobreviver, ela agora se vê como protagonista da própria história. “Eu sinto orgulho de mim. Eu não imaginava que teria essa força e essa coragem”, afirma.
A rotina continua intensa. Entre a lavoura, a casa e os cuidados com os filhos, os dias começam cedo. Mas o peso da obrigação deu espaço a um sentimento de pertencimento. “Quando acordo e vejo que tudo o que produzo é meu, é uma sensação de gratidão e satisfação”, diz.
Ela afirma que uma das maiores transformações foi voltar a se enxergar com dignidade. “Eu me sinto bonita. Me sinto vista, amada”, conta emocionada.